OS COMPONENTES DA CARAVANA DE MAIS DE 400 IMIGRANTES PARA TORRES

Depois desta carta, Paula Soares, aparentemente, foi chamado para Porto Alegre, onde obteve nova incumbência, contra pago de “alguma vantagem pecuniária”: organizar e acompanhar o transporte dos colonos para o seu destino.
Quanto à composição dos colonos a serem enviados para Torres, Gordilho de Barbuda, quando ainda em, São Leopoldo, deu ordens ao Inspetor Lima que “fizesse constar que as famílias e individuos solteiros ainda não datados* e os que ultimamente o havião poderião dar seos nomes para a relação dos que quizessem seguir sido junto á Serra, e que não se achassem contentes com estas datas, áquelle destino, a qual depois de assignada pelo Inspector seria remettida immediatamente” (Fonte n.º 2ª).
Além destes descontentes com os lotes recém-recebidos em São Leopoldo, Gordilho de Barbuda decidiu incluir, na relação dos que iriam para Torres, os passageiros da sumaca “Generosa” que acabava de chegar a Porto Alegre, avisada pelo ofício do Visconde de São Leopoldo de 17.8.1826. Esta “conducta” (leva) de novos imigrantes compunha-se de 15 famílias com 74 pessoas e 37 avulsos, ou sejam 111 pessoas em total, quase todas provenientes da região de Hessen. Duas destas famílias, talvez as mais bem situadas: Kern (l 826 VI 11/17) e Schild (1826 VI 1/6) já haviam sido registradas por Hillebrand em São Leopoldo, mas depois voltaram a Porto Alegre para seguir a Torres, provavelmente para continuar no mesmo grupo (Fonte n.º 1).
Paula Soares, encarregado do transporte, ficou incumbido de elaborar as “relações nominais” dos colonos, “q. voluntariamente vão para as Torres”. A primeira, mais ampla, datada de 24.9. 1826, compunha-se de 77 famílias com 312 pessoas e 40 solteiros (entre eles o Pastor Voges e o médico Dr. Zinckgraff), num total de 352 pessoas. A segunda lista, datada de 28.9. 1826, registrava 9 famílias com 42 pessoas e 24 solteiros, ou seja 66 pessoas. Ambas as listas de Paula Soares empregam a expressão “q. voluntariamente vão para as Torres”, o que estranha e quase deixa supor que muitos dos enviados, principalmente os solteiros, não seguiram voluntariamente, o que se poderia provar, por exemplo, pelo fato da maioria deles ter fugido depois de Torres.

* “Não datados”: os que ainda não tinham recebido as suas “datas”, seus lotes de terra.


Hunsche, Carlos E., O Ano 1826 da Imigração e Colonização Alemã no Rio Grande do Sul – Editora Metrópole – Porto Alegre 1977, p. 121.

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