Capítulo IV

A FUNDACÃO DA COLÔNIA ALEMÃ DAS TORRES
(São Pedro de Alcântara e Três Forquilhas)

De acordo com a farta documentação que conseguimos juntar sobre a Colônia Alemã de Torres, a idéia desta nova colonização agrícola partiu de José Feliciano Fernandes Pinheiro, mais tarde Visconde de São Leopoldo, quando ainda presidente da Província de São Pedro. Em fevereiro de 1824, havia visitado a guarnição de Torres, chamada também “Presídio”, fundada pouco depois da Independência, e havia reconhecido, “por sua vista perscrutadora”,(1) a importância do 1ugar para a formação de um novo núcleo de povoamento branco.
Dois anos antes, por iniciativa do mesmo Fernandes Pinheiro, fora fundada “outra colonia na deserta missão de São João, próxima à fronteira do Uruguai, adotando esta medida não só a requerimento dos primeiros colonos (alemães), que mal se combinavam com os últimos, porém para não os apinhoar em demasia naquela Colônia (São Leopoldo)”. Mas, São João das Missões fracassou e fracassou tão redondamente “a pontos q.hoje (1827) não existem mais do q. hum homem e huma mulher com duas ou tres crianças”.(2)
Tendo sido nomeado Fernandes Pinheiro ministro da recém-fundada Secretaria de Estado dos Negócios do Império (21.11.1825), a fundação da Colônia Alemã das Torres propriamente dita coube aos seus sucessores: Brigadeiro José Egídio Gordilho de Barbuda, mais tarde 1.º Visconde de Camamu, e ao Brigadeiro Salvador José Maciel, mais tarde Visconde de Inhabuque. Gordilho de Barbuda assumiu o cargo em 14.1.1826 e já o deixou em outubro do mesmo ano, conforme consta das cartas de Paula Soares e de outras fontes. Gordilho de Barbuda, em junho de 1826, havia recebido a ordem do Rio de Janeiro (Ofício do Visconde de São Leopoldo, de 17.8.1826) de formar a nova Colônia em Torres com toda a urgência.

TTE.-CEL. FRANCISCO DE PAULA SOARES NOMEADO ORGANIZADOR E DIRETOR DA NOVA COLONIA ALEMÃ DAS TORRES

Para melhor estudar o problema, Gordilho, em julho, visitou pessoalmente a Colônia Alemã de São Leopoldo. Demorou-se lá três dias, “percorrendo e observando minuciosamente as diversas datas de terra e o grão de agricultura á que estas se achavão elevadas; fasendo-me acompanhar nesta degressão pelo respectivo Inspector (José Tomás de Lima), a quem exigia miuda informação de caracter, assiduidade ao trabalho e outras circunstâncias conducentes a formar justa idéia das futuras vantagens” (Fonte n.º 2.ª, p.61).
Ao mesmo tempo, Gordilho de Barbuda dirigiu-se ao “Commandante do Districto das Torres, Tenente-Coronel Francisco de Paula Soares (Gusmão) confiando-1he a direcção da futura Colonia.” Paula Soares, pessoa positiva e concreta, respondeu-1he imediatamente, por carta de 14. 8.1826, aceitando o cargo e dando lhe algumas sugestões “para o bom andamento da empreza” (Fonte n.º 4)

1 - Paula Soares, “Memória das Torres”, em: Revista do Archivo Publico dc Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1924, p.63 (Fonte n.º 5).
2 - Carta do Comandante de S. Borja. José Maria da Gama, de 16.4.1827, cf. Biênio 1824/25, 2.ª ed., p.148-150.

Hunsche, Carlos E., O Ano 1826 da Imigração e Colonização Alemã no Rio Grande do Sul – Editora Metrópole – Porto Alegre 1977, p. 118-120.

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