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4.
A COLÔNIA SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA
Restava o
problema de localizar os alemães católicos nas margens do
Mampituba, porém continuavam a recusar essas terras baixas e semi-alagadas.
Em julho de 1827 seis deles, com o agrimensor Frederico Carlos Voges,
foram conferir. Voltaram desanimados, murmurando que também eles
deveriam ser levados para Três Forquilhas, onde as terras eram superiores.
Vinte e oito católicos chegaram a pleitear em requerimento à
presidência da Província, terra nos campos de Tramandaí
ou outros lugares.
O inspetor Ten.Cel. Francisco de Paula Soares foi chamado a Porto Alegre
onde a pretensão dos colonos foi rejeitada. Decidiu-se, então,
a procura de terras mais enxutas, um pouco ao sul do Mampituba, entre
as Lagoas do Jacaré e do Morro do Forno, onde o próprio
Soares possuía um engenho de cana. O agrimensor Voges deslocou-se
para ali afim de pesquisá-la.
Praticamente um ano depois da chegada dos imigrantes, em 02-11-1827, Voges
apresentou seu relatório. Havia ali terras boas e altas, suficientes
até para 400 casais, não contando as pantanosas da beira
do rio que poderiam ser doadas em parte. O problema era a inexistência
de estrada de acesso.
O Inspetor pôs os católicos na parede: ou aceitavam a nova
proposta ou iriam comprimir-se no Vale do Três Forquilhas, onde
os melhores lotes já estavam nas mãos dos protestantes.
Uma comissão de quatro deles foi examinar a alternativa entre as
lagoas, e gostou. Então o agrimensor entrou a demarcar terrenos.
Em fevereiro de 1828 sortearam-se os primeiros 40 lotes, enquanto se completava
a demarcação de outros e se abria uma estrada de acesso
para carretas, obra que era feita por sentenciados. Umas 15 famílias
ocuparam logo seus terrenos, construíram casas, plantaram feijão.
Mas, ao contrário do que imaginava Soares, não estava desatado
o nó górdio alemão.
Vinte outras famílias desistiram das terras e ameaçaram
surrar os aceitantes e queimar as casas. Alegavam que seriam sujeitos
aos ataques dos bugres escondidos nos matos no Morro do Forno. Os rebeldes
eram liderados por um francês, Louis Marie Boudier, que tinha vindo
avulso com alemães e por um tal de Magnus.
Convencido que a verdadeira causa da revolta de alguns era a intenção
de contemporizar para continuarem a receber o subsidio em dinheiro que
vinha da Coroa enquanto não assentado, o inspetor bancou energia.
Prendeu o sedicioso Boudier (ocasião em que quase recebeu um tiro
do colono Johan Kratz) e o remeteu para Porto Alegre com a recomendação
de alistá-lo nas forças armadas. O agrimensor alemão
foi junto para dar explicações 09-03-(1828).
O governo Providencial decidiu cortar a rebeldia pela raiz. O Conselho
Geral (Assembléia Legislativa de então) sustou o pagamento
dos subsídios aos colonos em maio, o que se cumpriu a partir de
junho. Mas o motim dos rebeldes não cessou. Em assuadas
(balburdia), alguns foram protestar na Capital. As autoridades recolheram
dois deles à Presigangas (navio prisão)
Matias Deutsch e Antonio de tal (possivelmente o Kreuzburg). Foi
água fria na fervura.
Pressionados por tais medidas de força, afinal em julho de 1828,
um ano e meio após a sua chegada, os últimos colonos católicos
ocupavam seus lotes, os mais contrariados fugiram para São Leopoldo
ou outras lugares.
O nome São Pedro de Alcântara, que era de um santo espanhol
(1499-1562, fundador dos franciscanos descalços), inicialmente
foi aplicado à Colônia Alemã de Torres em seu todo,
como homenagem indireta ao Imperador, também chamado Pedro de Alcântara.
Porém, acabou por se fixar apenas para a Colônia, embora
mais tarde (1847), sua capela foi erguida com outra invocação:
Nossa Senhora do Amparo.
Ruschel, Ruy Ruben, Torres Origens
3ª edição Maio/junho
2003
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